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quarta-feira, 9 de março de 2016

A história por trás de Cajuína




A composição Cajuína, de Caetano Veloso, bem podia ser um xote de amor ou uma homenagem à capital do Piauí: E éramos olharmo-nos intacta retina / A cajuína cristalina em Teresina. Mas quem ouve atentamente o primeiro verso já repara que o baiano fala de questões mais transcendentais:Existirmos, a que será que se destina?

É verdade que a música nasceu, sim, em Teresina. No final dos anos 1970, Caetano passava por lá a trabalho e encontrou o pai do poeta Torquato Neto, natural da cidade. Àquela altura, porém, o amigo tropicalista suicidara-se havia alguns anos. Ao ver o pai dele, seu Eli, o parceiro não foi capaz de conter as lágrimas: “Na época do acontecido, me senti um tanto amargo e triste, mas pouco sentimental. Quando encontrei doutor Eli, que sempre foi uma pessoa adorável, parecidíssimo com Torquato, essa dureza amarga se desfez. E eu chorei durante horas, sem parar”, conta no livro Verdade Tropical.

Caetano impressionou-se com a serenidade de Eli ao consolá-lo, entre retratos do filho, quando o natural era que o contrário acontecesse. O homem serviu uma cajuína, bebida típica da região. Colheu uma rosa no jardim e deu para a visita. Na cabeça do compositor, o ato já começava a se traduzir num baião alegre e calmo, que estaria pronto nos dias seguintes: Pois quando tu me deste a rosa pequenina / Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina / Do menino infeliz não se nos ilumina / Tampouco turva-se a lágrima nordestina. 

Caetano resume: “Diferentemente do dia da morte de Torquato, eu não estava triste nem amargo. Era um sentimento terno e bom, amoroso”.

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